Jesus Cristo | Page 11

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humilitas, etimologicamente ligado à humilis, aterrado, baixo, ou“ da terra”, derivado de húmus – terra. Infelizmente, nós, como cristãos, muitas vezes deixamos de lembrar da nossa própria fragilidade, seja no contexto da família, do trabalho, da igreja, ou mesmo quando ela se manifesta em nossa postura de oração. Nós assenhoramos nossa autoridade, nos gabamos de nosso conhecimento, maldizemos e dividimos. Por outro lado, Deus, como nosso Criador, sabe como somos feitos,“ Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó”, isto é, da terra – húmus( Salmos 103:14; Gênesis 2:7). O narcisismo, que é a busca da gratificação pessoal juntamente com a admiração pelos próprios atributos, e a hubris, que é a arrogância, o orgulho extremo e superestimação de si mesmo, são a antítese total da humildade. O Homem modelo descrito em Filipenses é diametralmente oposto ao narcisismo e à hubris. Ele“ não julgou como usurpação o ser igual a Deus; mas fez a si mesmo de nenhuma reputação”. As palavras gregas, kenosis e doulos comunicam a verdade“ assumindo a forma de servo” e explicam como Ele foi obediente a Deus. Essas características definidoras de Cristo, longe de serem marcas exclusivas de Suas ações terrenas, são postuladas pelo apóstolo como características-chave da cruz do Calvário e como o incentivo supremo de humildade para os cristãos. O escritor assevera que esta característica fundamental da vida e morte de Cristo, ou seja, a humildade, é a marca do Homem modelo – o nosso próprio Senhor, e deveria ser a marca de todo cristão, homem ou mulher, que seja como o Mestre.
A questão natural, então, é: se Cristo, como o Homem modelo, é, primeiramente, caracterizado quanto à Sua humildade, como isso se aplica a todas as relações que estão ligadas à masculinidade? Afinal, o Homem Jesus de Nazaré não tinha esposa, filhos etc. A tentação em

A humildade é definida como a postura de se rebaixar em relação aos outros e reconhecer o seu lugar no contexto.

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