Discípulas | Page 7

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proferir essas palavras, ela já devia estar prevendo parte do que estava por vir. Deus, em Sua bondade, interveio para poupá-la da dor de uma conversa extremamente difícil com José e lhe proporcionou um refúgio seguro na casa de Isabel. Mas nem todos reagiriam como José e Isabel. O estigma do adultério se acumularia e se manteria; ela nunca estaria totalmente livre dele( João 8:41). Para uma moça sensível e espiritual, saber que em todo lugar que ela fosse haveria sussurros de suspeita e dedos acusadores não era um preço pequeno. Mas, por mais real que fosse, essa dor empalidece em comparação com a experiência sobre a qual Simeão a advertiu:“ Uma espada traspassará a tua própria alma”( Lucas 2:35). Nenhum de nós gosta de ver nossos filhos sofrerem, mas nenhum de nós teve um filho como Maria teve, ou presenciou sofrimentos como os que Maria viu. O coração de mãe sentiria a dor de todos os sofrimentos do Salvador. Seu coração compartilharia a dor de Sua traição e se encheria de perplexidade quando Ele fosse odiado e difamado. Por fim, ela ficaria sob a cruz e a espada perfuraria não apenas seu coração, mas sua própria alma. Submeter-se à vontade de Deus custaria caro, e a mulher mais abençoada do que qualquer outra mulher sentiria uma dor muito maior do que a de qualquer outra mãe.
Seu lugar Podemos aprender muito com a primeira menção de Maria nas páginas das Escrituras, mas o que dizer da última referência? O que poderia ser uma conclusão adequada para uma história tão notável? A imaginação humana, sem ser restringida pelas Escrituras, tem sua resposta na assunção de Maria ao céu- uma noção da qual não encontramos o menor indício em nossas Bíblias. Em vez disso, nos despedimos de Maria em um ambiente muito comum e, ainda assim, muito especial, no que se tornaria a primeira igreja do Novo Testamento, onde os apóstolos“ perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos”( Atos 1:14). O fato de a serva do Senhor, altamente favorecida e abençoada entre as mulheres, terminar seus dias como um simples membro de uma igreja de Deus só nos surpreenderá se tivermos perdido de vista o quanto a igreja é especial. Esta dispensação não oferece nenhuma honra maior e nenhum privilégio maior do que simplesmente continuar, na comunhão da igreja, com o povo do Senhor. É preciso apenas um pouco de imaginação para perceber o quanto ela deve ter sido importante para a igreja em Jerusalém. A mulher que, quando adolescente, tinha tanto conhecimento de Deus, havia adquirido um conhecimento íntimo de Cristo, e deve ter sido muito doce ouvi-la falar sobre Ele, falar de Seu nascimento e Sua infância, relatar a profundidade de Seus sofrimentos e de Seu amor infalível. Talvez, quando os cristãos mais jovens se reuniram, ela lhes disse, como ainda nos diz, como estava feliz por um dia ter dito:“ Cumpra-se em mim segundo a Tua palavra”.

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