Deus | Page 10

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Num mundo cada vez mais pluralista e hostil, convicções sólidas sobre a singularidade do Deus verdadeiro vão ancorar nossas afeições e fortalecer nosso esforço. Sua singularidade exige que nenhum concorrente se apresente antes do Senhor em nossos corações, e o conhecimento sólido de que não há deus além do Senhor dá força e coragem, mesmo na adversidade.“ Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”( 1 Coríntios 15:58).
No Novo Testamento, a importância do Shemá foi enfaticamente reforçada pelo Senhor Jesus, pois quando os fariseus vieram para o testar, perguntando qual era o maior mandamento, o Senhor respondeu citando as palavras que o seguem imediatamente em Deuteronômio 6:“ Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento”( Mateus 22:37-38, ênfase adicionada). Além disso, Ele não parou por aí, continuando a dizer:“ E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”( Mateus 22:39-40).
Esse manejo especializado da Lei introduz com maestria o segundo sentido em que falamos sobre a unicidade de Deus. O Senhor Jesus mostrou que a afirmação de que Deus é Um também deve ser entendida qualitativamente. Ou seja, afirma a absoluta indivisibilidade de Deus e descreve a perfeita e harmoniosa consistência de toda a Sua Pessoa e obra. Por inferência, reivindicar amor a Deus, como exigia o Shemá, e ao mesmo tempo nutrir pensamentos maus contra o meu próximo é contrário à unidade da Lei. Destacando que este não é apenas o“ grande” mandamento, mas também o“ primeiro” de uma série consistente – uma parte de um todo – o Senhor afirmou que a Lei é uma porque o Legislador é Um.
Essa consistência perfeita é ainda mais maravilhosa quando consideramos a revelação bíblica de que há três personalidades distintas que são Deus e que existem como Um todo harmonioso. O fato de que os Três são Um em essência eterna, importância, vontade e propósito, mas absolutamente distintos em pessoa e função, está claramente implícito, frequentemente afirmado, mas nunca explicado nas Escrituras. Cremos nisto pela fé, desfrutamos e somos edificados. Em verdade, devemos tomar cuidado com todas as tentativas de explicar ou ilustrar o mistério da Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – pois todas são inevitavelmente inadequadas e muitas vezes levam a erros.

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Por exemplo, em uma extremidade do espectro do erro estão aqueles, como